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Comunidade Científica de Enfermagem

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Blog da Comunidade Científica de Enfermagem

A Enfermagem é uma profissão "única". Penso que nisto todos estamos de acordo.

Realizamos intervenções decididas por nós, intervenções decididas por outros, intervenções que deviam ser decididas por outros mas são decididas por nós e intervenções que deviam ser decididas por nós mas são decididas por outros. Quem as faz é sempre o enfermeiro e poucas vezes recebe o mérito pelo ato.

Quem não conhece a profissão não vê mais do que meia dúzia de injeções durante o turno ou umas quantas fraldas mudadas. Quem conhece vê tanto que nem sabe como começar a descrever o que vê. Não é fácil atribui valor a uma profissão que não se sabe descrever com rigor, nem é fácil "vender" serviços centrados na promoção da saúde (o mercado existe para a resolução de problemas e o resto fica para segundo plano).

Começamos a trabalhar com a pessoa antes até de ela nascer ou ser concebida, continuamos ao nascimento, adolescência, idade adulta, "terceira idade", e mesmo depois do falecimento continuamos a cuidar, sempre na saúde e na doença, sem mãos a medir para tanto que pode ser feito.

Mas em que trabalham então os enfermeiros para poderem decidir "autonomamente" sobre algum assunto? Quem diz que o enfermeiro faz o que o médico manda tem razão? Ou será mais verdade quem o enfermeiro tem a sua intervenção com o utente, independentemente da origem das necessidades deste?

Este é apenas um artigo de opinião, logo não é ciência, nem muito menos uma sugestão para outros seguirem, apenas uma breve reflexão sobre o que é a autonomia, onde pode começar e onde deveria acabar.

Não é fácil definir "decisão autónoma de enfermagem". Decisões todos tomamos desde o momento que acordamos, mas baseadas em quê? O que torna uma decisão pertinente, autónoma, e no âmbito da disciplina de enfermagem?

Quando seguimos um protocolo estaremos a tomar uma decisão? Podemos dizer "Eu decidi dar glicose hipertónica perante uma pessoa com glicemia de 55mg/dl"? Administrei porque o protocolo "mandou", porque o conhecimento científico "diz" que é boa prática, ou porque eu decidi dar? Há autonomia ou não nestas intervenções? Como exemplos mais complexos temos a triagem de manchester ou os algoritmos de suporte avançado de vida. Quando uso estes protocolos posso dizer que tomo decisões? Toda a norma exige bom senso, ou juízo clínico para a sua adequação ou não ao momento, mas qual a decisão que predomina? A decisão de quem executa, ou a decisão de quem elabora o protocolo? Nestes casos não acredito que possamos falar em decisão autónoma de enfermagem, dado que tudo está previamente avaliado e delineado. Podemos sempre assumir a responsabilidade por qualquer desvio que seja necessário para proteger a pessoa, mas estes casos parecem-me mais excepções que regras.

Outra das grandes áreas de intervenção prende-se com a administração de fármacos. Em Portugal o ato de prescrição de fármacos é médico, como tal a decisão sobre os mesmos cabe exclusivamente a estes profissionais. Também as indicações sobre diluição e administração estão devidamente estudadas e divulgadas nas bulas pela indústria farmacêutica. Tomar boas decisões nesta área significa seguir as indicações dos laboratórios (e há muito para ler nesta área). Bons profissionais conhecem bem estas indicações, mas também não podemos chamar a estas intervenções como "autónomas", dado que o conhecimento está todo do lado das outras ciências e as indicações claramente descritas.

No seguimento da ideia anterior, muitos devem ter pensado "mas eu decido se administro ou não dado poder ter existido um lapso na prescrição". Isto é verdade, mas não podemos dizer que tomamos decisões para substituir os outros quando estes erram. Seja na prescrição de fármacos, ou exames, ou troca de utentes, ou utentes esquecidos, ou papeis perdidos ou mal preenchidos. Se há coisa que os enfermeiros devem deixar de ser é "paus para toda a obra". Se ocorreu um erro que colocou em causa a segurança da pessoa, este deve ser reportado internamente para se desenvolverem meios de prevenção futura de problemas idênticos. Cada vez que resolvemos o problema pelos outros, normalmente "por baixo da mesa", estamos a multiplicar a probabilidade deste vir a ocorrer.

Se tudo isto são decisões tomadas por outros profissionais, onde é que os enfermeiros tomam decisões autonomamente? Esta é uma das questões que podemos resolver facilmente de um ponto de vista mais teórico que prático.

Se a enfermagem é uma disciplina e uma ciência, com corpo de conhecimentos próprios, então, na minha opinião, a tomada de decisão autónoma só pode estar centrada à volta destes conhecimentos (o que é nosso e não os conhecimentos que vamos "adquirindo" das outras disciplinas ao longo da carreira). Não tem interesse termos enfermeiros excelentes a diagnosticar fraturas, pneumonias ou enfartes (sem desvalorizar o papel importante na vigilância e identificação de sinais e sintomas), porque quando um utente tiver um destes problemas ele vai preferir pagar a qualquer médico do que recorrer a um bom enfermeiro.

Como posso então analisar se uma decisão que tomei foi na minha área e, como tal, autónoma e legítima? De uma forma geral, devo ser eu a diagnosticar claramente o problema e a resolvê-lo. Se intervir em problemas que são diagnosticados e resolvidos por outros profissionais, é da responsabilidade destes a prescrição das intervenções, por muito que isso atinja o nosso orgulho.

Exemplos simples de intervenções autónomas tomadas diariamente por enfermeiros? Avaliação e decisão terapêutica na abordagem à pessoa com feridas (as que são da nossa área), todo o trabalho realizado na promoção da autonomia de uma pessoa com uma parésia recente ou uma ostomia, na capacitação de um familiar para cuidar de um idoso, na promoção de uma limpeza eficaz das vias aéreas, na gestão da ansiedade peri-operatória, no apoio à maternidade, entre muitas outras áreas. Problemas identificados por enfermeiros e resolvidos por enfermeiros.

Mas, como referi desde o início, esta é apenas uma opinião. Seguramente muitos irão discordar e argumentar em vários outros sentidos, o que é um excelente sinal. É importante discutir e tomar posições sobre o que acreditamos. Não chega pegar em apitos e exigir mais e melhor, é necessário começar a saber qual é o nosso portfólio de serviços e vendê-lo muito bem.

Comentários são bem vindos, preferencialmente no grupo da Comunidade Científica de Enfermagem no facebook.

O servicodeurgencia.pt é um site que pretende ter alguns conteúdos estáticos como os disponibilizados no "Centro de conhecimento" a fim de divulgar alguns aspectos importantes na área do conhecimento que devem ser partilhados pela formação base de todos os enfermeiros dos serviços de urgência.

Muito em breve vão ser disponibilizados outros conteúdos mais dinâmicos para a interação com os membros deste grupo. Como o site é bastante recente e estamos a dar os primeiros passos para a expansão da comunidade, vai ser mandatório numa fase inicial o registo no site, que por sua vez é controlado manualmente pelos membros da administração. Apenas enfermeiros que façam o registo e enviem pedido de activação por mensagem privada pelo facebook ou pelo formulário de contacto serão activados. É uma medida algo radical, mas em fases de teste não pode ser facilitada a intrusão de outro tipo de participantes com intenções menos criativas.

O servicodeurgencia.pt está e sempre estará aberto a novas ideias e sugestões de todos os membros da comunidade de enfermeiros. Não vamos comprar ideias (este é um projecto sem qualquer financiamento ou fins lucrativos), mas vamos aceitar todas as que nos fizerem chegar de boa vontade.

Nos próximos dias daremos novidades...

Boa tarde a todos.

Esclarecendo um pouco o sistema de login / registo no servicodeurgencia.pt , o mesmo serve exclusivamente para acesso a projectos de investigação pessoais, formulários e questionários vários. Estas páginas não podem ter acesso público pois correríamos o risco de alguém realizar registos indevidos e aceder a dados confidenciais.

Excluindo estas situações, não existe qualquer motivo para realizar o registo no nosso site, dado não utilizarmos qualquer sistema de publicidade e não dependermos financeiramente de ninguém. Os conteúdos que existem são de acesso livre e gratuito a todos os enfermeiros e nunca vão ver uma única imagem de publicidade em lado algum ou receber e-mails publicitários nossos.

Resumindo: a não ser que estejam envolvidos em algum projecto de investigação com formulários neste site, não há razão para tentar fazer o registo dado que o mesmo não será activado.

Se futuramente for criado algum conteúdo que necessite registo, este será devidamente divulgado.

Estão disponíveis no servicodeurgencia.pt novos conteúdos para consulta e crítica:

- Tabela de diluições de fármacos em emergência pediátrica, para consulta informal ou em caso de necessidade (facilmente acessível pelo telemóvel por exemplo - utilizar o menu azul da página inicial). Trabalho realizado pelas colegas Eduarda BastosSusana MineiroVeneranda PereiraVera Rodrigues.

- Módulo de quiz com intuito formativo, para consulta e reflexão em casa, ou para fazer uma pequena formação em serviço.

- Módulo de quiz para teste de conhecimentos reestruturado, agora com tempo limite e nova formatação. Para utilização informal ou formal.

- Pequeno módulo introdutório a casos clínicos. Para testar funcionalidades e novas ideias.

Estamos sempre disponíveis para ouvir ideias sobre o trabalho desenvolvido e possibilidades para o futuro. Por vezes o que parece uma ideia inatingível acaba por se fazer de um dia para o outro (ou de um mês para o outro se for necessário). Se tiverem em casa algumas questões ou testes de avaliação que queiram partilhar para publicação é só enviar. Para novas ideias ou sugestões é só enviar pelo nosso formulário de contacto ou pelo facebook.

Cumprimentos,
A administração do servicodeurgencia.pt

A utilização de catéteres venosos centrais é uma prática extremamente frequente em algumas unidades, mais a nível intensivo e intermédio, mas também nas outras unidades surge esporadicamente.

Talvez por sermos algo sensíveis à memória rotineira da prática relativa aos catéteres periféricos, ou por sermos sistemáticamente confrontados com o reduzido tempo disponível para os cuidados, desvalorizamos alguns cuidados que são críticos na prevenção de infeção. O facto de não sermos confrontados com o resultado desta infeção também faz com que o problema não seja visualizado diretamente a as consequências não medidas. Hoje todos os utentes internados fazem antibióticos, são confrontados com várias outras infeções já diagnosticadas, e acabam por não manter o CVC por longos periodos de tempo.

Para actualizar e rever os conhecimentos relativamente às boas práticas sobre o manuseamento do CVC e dos seus acessos foi realizado este pequeno trabalho de revisão da norma da DGS e explicado um exemplo de utilização disponível aqui.

Todas as sugestões com opiniões e práticas de outros serviços são bem vindas para actualizar ou corrigir a informação aqui contida.

Os serviços de urgência são unidades de extrema complexidade onde o trabalho dos enfermeiros é muitas vezes inglório. Podem dar tudo que há para dar e com a melhor qualidade imaginável, e no entanto chegar ao fim do dia sem nada para mostrar. Nem à população que não se apercebeu de um terço do trabalho conceptual e da sua implementação. Nem às chefias que não têm um indicador que traduza a qualidade do trabalho prestado. Nem à direção que acredita que os enfermeiros são um mal necessário, mas barato, para dar umas picadelas aqui e ali. Com sorte sobra uma história para contar aos colegas e amigos, se não ficar esquecida no meio de tantas outras por vezes menos agradáveis. Devem ser os profissionais que mais reclamações ouvem sobre assuntos que não têm rigorosamente nada a ver com o seu trabalho, mas têm a obrigação de perder o seu tempo a tentar resolvê-los.

Os enfermeiros dos serviços de urgência têm obrigatoriamente de dominar conhecimentos de várias áreas além da enfermagem, nomeadamente ciências biomédicas e muitas outras, e este facto não torna o nosso trabalho fácil de medir e avaliar. Qual é o enfermeiro que não tem uma extrema dificuldade em explicar a qualquer cidadão ou outro profissional o que fazem num serviço de urgência?

O projecto servicodeurgencia.pt tem por finalidade ajudar os enfermeiros a produzir e divulgar vários conteúdos em cinco grandes níveis:

- A elaboração de várias páginas com informações úteis para o dia-a-dia, como a pesquisa rápida e simples de fármacos, instruções de como montar ventiladores, orientações sobre a identificação de ritmos e ECG, orientações sobre tratamento de feridas, entre outros, evitando assim colar informação desorganizada nas paredes ou livros de bolso, visto que em 10s acedemos facilmente ao site;

- O agrupamento destas páginas em manuais assim que os conteúdos estiverem terminados. Todo o conteúdo de acesso livre sem qualquer restrição ou intuito financeiro;

- A elaboração de testes de conhecimento para demonstrar a existências de dúvidas e incertezas em contexto teórico, evitando que as mesmas surjam na prática no meio da actuação num doente crítico. Os resultados destes testes servem posteriormente para dirigir formação específica e especificar novos conteúdos;

- O incentivo à realização de sessões teóricas e práticas de casos clínicos, com vários exemplos, quer a nível de principiante que para enfermeiros experientes para treinar destreza e não deixar protocolos complexos como o SAV cair em esquecimento;

- A definição exacta e detalhada do trabalho que realizam os enfermeiros do serviço de urgência. Quais são os focos onde actuamos, como os definimos, como intervencionamos e com que objectivos. Este vai ser um trabalho longo e beneficia profundamente da colaboração de um grande número de elementos.

Se todos colaborarem na reflexão sobre os conhecimento e competências necessários a um enfermeiro do serviço de urgência, mais facilmente chegaremos ao dia em que se podem medir e avaliar todas elas de forma a valorizar o nosso trabalho árduo e mostrá-lo a todos os que o queiram ver.

Se alguém partilhar este objetivo pode entrar em contacto connosco pelo formulário de contacto, mensagem pelo Facebook ou pessoalmente.

Bom dia.

Dado não terem sido reportados quaisquer problemas relativamente a estes conteúdos, os testes de conhecimento / quiz passam a estar disponíveis para todos os membros, inclusivamente os que ainda não estão registados.

Link: https://servicodeurgencia.pt/Testes-de-conhecimento

Com os melhores cumprimentos,
A administração do servicodeurgencia.pt

Conforme anunciado anteriormente, o servicodeurgencia.pt está a desenvolver novos conteúdos com o objetivo de envolver os enfermeiros em actividades que impliquem mais do que ler informação estática pontual para leitura apenas.

Um destes projectos é o grupo de testes de conhecimentos que tem por finalidade trazer à superfície algumas dúvidas que são comuns a todos os enfermeiros na prática diária sobre as quais por vezes não damos a atenção devida e promove práticas menos fundamentadas e com menor segurança para o utentes.

Em situação alguma pretendemos criar competições pessoais. Pedimos que não divulguém qualquer elemento destas questões nas redes sociais, inclusivamente o vosso resultado final. A percentagem de respostas correctas tem um fim meramente lúdico, pois a essência de todo este trabalho é ler e perceber a justificação de cada resposta, de forma a alicerçar os conhecimentos e desenvolver as competências necessárias para aumentar a auto-confiança nas intervenções que implementamos.

Não existe tempo limite (embora todas as questões tenham um tempo alvo de 1 minuto) e nada impede o utilizador de consultar qualquer fonte durante a realização do exame. No entanto, se o objectivo for identificar as áreas a melhorar e reconhecer limitações formativas, solicitamos que preencham as respostas apenas com o suporte da vossa experiência.

Estes testes / quiz estão disponíveis neste link e conforme explicado neste post, está limitado apenas a membros registados por se encontrar em fase de testes quer do módulo, quer da segurança dos dados de todo o projecto.

Com os melhores cumprimentos,
A administração.

Já todos ouvimos falar da temática da segurança e proteção de dados quando nos referimos a dados confidenciais dos nossos utentes, e somos obrigados a protege-los de todas as formas possíveis. Quando falamos em dados pessoais como perfis preenchidos em fórums, redes sociais, histórico de navegação na internet, inquéritos sobre isto e aquilo, passwords comuns a mil e um sites diferentes (alguns críticos como o e-mail) já não temos a mesma noção de proteção que deveríamos ter.

Existem várias formas de obter dados confidenciais sem o utilizador se aperceber:

  • Quando nos registamos num fórum e preenchemos e-mail e password, se forem coincidentes com a do vosso e-mail podem aceder directamente a tudo que lá estiver (ou se a questão de recuperação for coincidente com um dos dados preenchidos no perfil);
  • Quando navegamos num dos milhões de sites com análise de trafego que registam e associam o vosso endereço IP (número único de internet da vossa ligação de casa) a todos os sites que abrem - e por coincidência vêm um anúncio com o assunto que acabaram de ler há 15 minutos;
  • Quando utilizamos dados de login importantes em computadores não pessoais que podem ter qualquer tipo de vírus ou malware que regista esse mesmo login e envia para pessoas mal intencionadas.

    
O servicadeurgencia.pt não é excepção à necessidade de cuidados importantes na proteção dos vossos dados. Sendo que muito em breve vão ser criados alguns conteúdos com uma restrição inicial a utilizares registados pela necessidade de testar os mesmos em pequena escala e proteger o site recém criado de ataques mal intencionados, devemos esclarecer a política de utilização de todos os dados enviados para este site. Desta forma, o servicodeurgencia.pt

  • Não contém nem irá alguma vez conter qualquer tipo de anúncio publicitário
  • Não utiliza qualquer tecnologia de aquisição de dados para análise com intuito de partilha com qualquer outra entidade
  • Alerta para não preencherem quaisquer dados desnecessários durante e após o registo que possa ter efeitos indesejados (morada por exemplo)
  • Alerta para não utilizarem na password de registo a mesma chave utilizada no vosso e-mail
  • Utiliza inevitavelmente alguns cookies, como o necessário para manter o sistema de login a funcionar, mas nunca com a intenção de aceder a outros dados

    
Ficam aqui demostradas algumas análises de bloqueadores de conteúdos perigosos para a segurança de dados. Se alguém encontrar algum elemento que desafie estes pressupostos, agradecemos que o mesmo nos seja reportado.

Com os melhores cumprimentos,
A administração do servicodeurgencia.pt

 

Análise do servicodeurgência.pt:


Análise de outros sites conhecidos na área: