Trabalho realizado pela enfermeira Isabel Salazar, estudante do curso de Mestrado em Enfermagem com especialização em Enfermagem Médico-Cirúrgica da Universidade Católica Portuguesa

Introdução

Os cateteres venosos centrais são atualmente aceites como parte integrante dos cuidados ao doente crítico ou com situações crónicas, no entanto acarretam um elevado risco de infeção aumentado a morbilidade, mortalidade e os custos dos cuidados de saúde. Os resultados nacionais confirmam essa evidência, sendo a demora média dos doentes que adquirem uma infeção nosocomial da corrente sanguínea (INCS) de 35,3 dias de internamento contrastando com a demora média global de 8,9 dias (DGS, 2006).

É, portanto um problema significativo pelo que as intervenções realizadas pelos enfermeiros são fundamentais para a prevenção, diminuição e controlo da infeção, uma vez que é o profissional que mais intervenções executa junto do mesmo, constituindo assim uma oportunidade de contribuírem de forma mais eficaz para redução das taxas de infeção hospitalar associadas à sua presença.

Fundamentação teórica

A infecção hospitalar ou infecção nosocomial é definida como sendo uma infecção adquirida durante o internamento do doente (sendo que não é causa primária deste), que se manifesta após a alta, todavia, que se encontram relacionadas com o internamento ou procedimentos hospitalares. (WHO, 2001)

De entre as infecções nosocomiais mais frequentes e graves encontram-se as infeções associadas à corrente sanguínea, em particular as relacionadas com a presença do cateter venoso central. Estas variam consideravelmente conforme a dimensão do hospital, os serviços/unidades e o tipo de cateter (Programa Nacional de Controlo de Infeção, 2006).

Em unidades de cuidados intensivos o uso do CVC é uma prática extremamente comum, uma vez que o tratamento ao doente crítico implica procedimentos e intervenções terapêuticas complexas (administração de fármacos, alimentação parentérica, monitorização hemodinâmica entre outros). Subsiste assim, um risco acrescido de infeção, onde a vigilância, prevenção e controlo da mesma são fundamentais.

O seu uso, pese embora indispensável, é apontado como um factor importante de risco para o aumento das infecções nosocomiais da corrente sanguínea, aumentando o período de internamento, da morbilidade/mortalidade e dos custos de hospitalização. Além da correta colocação do cateter, não é menos importante a segurança e eficiência na sua utilização e manipulação, competindo ao enfermeiro um papel fundamental na sua evitabilidade.

As intervenções de enfermagem que mais se evidenciam na manipulação do CVC relacionam-se com a preparação de terapêutica, mudança dos sistemas e prolongadores associados à perfusão de soros, nutrição parentérica, sangue e derivados entre outras perfusões; realização do penso do local de inserção (no que se refere às soluções utilizadas, tipos de pensos e frequência de realização dos mesmos) e barreias de proteção utilizadas perante a manipulação do acesso central.

As colonizações do cateter e as infeções da corrente sanguínea podem ser, em grande parte, evitáveis, tornando-se de extrema importância o desenvolvimento de boas práticas na prevenção e controlo de infeções. Formar os profissionais de saúde, incidindo nos aspetos relacionados com as indicações para a utilização de cateteres intravasculares, procedimentos adequados para a sua inserção e manutenção é assim de crucial importância.

As atuais recomendações para a prevenção das infeções da corrente sanguínea tem várias categorias de intervenção, sendo as mais importantes:

  • Educação dos profissionais de saúde e dos doentes;
  • Assepsia;
  • Seleção do tipo de CVC;
  • Seleção do local de inserção;
  • Precauções de barreira estéril durante o procedimento de colocação;
  • Cuidados ao CVC e ao local de inserção; 
  • Princípios gerais de manuseamento do CVC.

Princípios geral de Manutenção do Cateter Venoso Central

  • Sempre que possível, o local de inserção deve ser observado diariamente para a presença de sinais de inflamação local (eritema, edema, exsudado);
  • Estar atento a sinais de infeção sistémica: hipertermia
  • Efetuar desinfeção higiénica das mãos; usar luvas esterilizadas e usar assepsia rigorosa aquando a desconexão ou manipulação de qualquer parte do sistema;
  • Desinfetar as mãos antes e após a palpação do local de inserção, bem como antes e após inserir, substituir, aceder ou fazer o penso;
  • A palpação do local de inserção não se deve realizar após a aplicação do antisséptico, a não ser que se mantenha a técnica asséptica;
  • Desinfetar os acessos (torneiras, etc.) com a solução indicada pelo fabricante (as soluções antissépticas de base alcoólica são as recomendadas porque combinam os benefícios de rapidez de ação, com a atividade residual e espetro bacteriano);
  • Manter os acessos das torneiras devidamente obturados quando não são utilizados;
  • A decisão de remover o CVC é clinica, baseada na situação clinica do utente, na função do acesso e na virulência do microrganismo isolado.

Preparação de fármacos

  • Retirar adornos das mãos; (anéis, pulseiras, relógio etc) 
  • Desinfetar a superfície de apoio para a execução do procedimento;
  • Ter presente na proximidade os respetivos recipientes para a triagem dos resíduos hospitalares (Grupo I, Grupo II e Grupo IV);
  • Realizar lavagem das mãos com água e sabão; (o uso de luvas não dispensa a necessidade deste procedimento);
  • Colocar bata, touca e máscara; 
  • Usar campo esterilizado e dispor todo o material necessário à preparação mantendo assepsia; (seringas, agulhas, compressas, soro fisiológico, marcador cirúrgico etc);
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  • Realizar higiene das mãos com água e sabão seguido de nova fricção com solução antissética de base alcoólica;
  • Calçar uma luva esterilizada (manusear material estéril); 
  • Preparar as seringas com as soluções necessárias, cumprindo norma asséptica, colocando-as no campo;
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  • Calçar a segunda luva esterilizada;
  • Identificar as preparações.

Administração de fármacos

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  • Envolver e friccionar os terminais dos cateteres/prolongador e torneira (descontaminar) com compressas embebidas na solução de cloro-hexidina a 2% em álcool ou álcool a 70%, durante 15 segundos e deixar secar, antes de conectar/manusear qualquer dispositivo estéril. (pontos de acesso dos sistemas e prolongadores, ramos do CVC, clamps, dispositivos de pressão positiva, válvulas anti refluxo); 
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  • Quando o cateter tem mais de uma via individualizar todo o material; (antes da administração de qualquer terapêutica verificar a permeabilidade do ramo do acesso que esta a ser utilizado);
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  • Usar as restantes compressas previamente impregnadas com solução de cloro-hexidina a 2% em álcool, e envolver novamente as extremidades dos cateteres e executar a administração da terapêutica;
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  • Lavar o ramo do cateter com 10 ml de soro fisiológico; (caso se justifique, ou seja, se nenhuma perfusão em curso)
  • Realizar os respetivos procedimentos para manutenção de via do CVC (heparinização, uso de conector com pressão positiva, válvula anti refluxo etc.);
  • Colocar novo conector/obturador no local de administração;
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  • Executar lavagem das mãos no final do procedimento;
  • Registar.