Temas de formação

Formação VNI


Cuidados de enfermagem ao utente com ventilação não invasiva

Este módulo tem um intuito puramente informativo e as questões servem apenas para uma breve reflexão antes da explicação da temática.

Nenhum dado é registado (nem mesmo a resposta selecionada).

Este módulo tem por objetivos:

- Reflectir sobre alguns cuidados ao equipamento de VNI
- Reflectir sobre alguns cuidados à pessoa com VNI
- Discutir alguns problemas comuns mais frequentes
- Rever conhecimentos científicos básicos sobre VNI

Este módulo é constituido por 10 questões.

Todas as questões têm a resposta correcta no final da própria questão explicada.

Questão 1: Questão 1 - O filtro deve ser colocado



Sempre que possível o filtro:

- Deve ser colocado imediatamente à saída do venilador para proteger o aparelho da contaminação. Em alguns casos não é possível por limitação do sistema (sistemas oxylog por exemplo) -> colocar o mais próximo possível ao ventilador.

- Deve ser colocado sempre entre o ventilador e a entrada de oxigénio (quando este é administrado na tubuladura e não no próprio ventilador) para prevenir retorno de O2 para fontes elétricas.

- Deve ser colocado sempre que possível antes da válvula expiratória (nos sistemas com válvulas externas).

- Deve ser colocado apenas para proteger o ventilador e não a tubuladura (alguns fabricantes podem recomendar a colocação de um filtro no venilador e outro no utente -> aumenta significativamente a resistência à pressão desejada).

- Deve ser trocado diariamente se a utilização for superior a 12h ou de dois em dois dias nos outros casos.

- Deve ser utilizado o modelo com menor resistência (tamanho menor, não humidificado), principalmente em situações agudas.



Questão 2: Os adaptadores / conversores de tamanho de tubagem servem para:



Os sistemas de ventilação estão desenhados pelos fabricantes para não necessitarem de qualquer adaptador, e existem inclusivamente standards que protegem o utente da má montagem pelo prestador de cuidados: por exemplo as máscaras sem válvula expiratória não encaixam nas tubuladuras sem válvula expiratória pois é asumido que sem válvula expiratória o utente corre risco imediato para a sua vida.

Quando utilizamos adaptadores estamos a enviesar completamento estes mecanismos de segurança e como tal devemos ter uma atenção triplicada para as nossas acções, para não falar de uma segurança monumental nos conhecimentos sobre o bom funcionamento dos sistemas de ventilação.

Por vezes é necessário utilizar um adaptador na falta de equipamento adequado (por exemplo para colocar nebulizações nos sistemas onde não existe material adequado como aero chambers), mas é necessária uma atenção redobrada e preferencialmente uma norma do serviço para aceitar a responsabilidade para este acto, caso contrário o enfermeiro é responsável por todos os viés que ocorrerem.



Questão 3: As máscaras devem ser selecionadas de acordo com



O princípio mais importante é conhecer o ventilador e o sistema em uso, e saber se necessitamos de uma máscara com válvula expiratória ou sem válvula expiratória.

Dentro do material existente no serviço podemos utilizar máscaras nasais, faciais, capacetes, etc, ou qualquer combinação para alternar pontos de pressão.

O tamanho adequado deve ser medido antes da colocação da máscara para não gastarmos material desnecessáriamente, embora em situações emergentes se possa aceitar uma medição a olhómetro / empírica. A grande maioria dos fabricantes tem uma folha com a medição adequada para a máscara.



Questão 4: Relativamente à autonomia



Por uma questão de segurança para a pessoa, todos os ventiladores, sem excepção, deveriam ter autonomia para várias horas sem eletricidade. A necessidade poderá ser maior num contexto hospitalar, mas um senhor com SAOS grave em casa corre risco de vida se a eletricidade falha de noite e ele não acordar.

Como o contexto hospitalar é pouco propenso a falhas e existem geradores que normalmente entram em funcionamento em poucos segundos, o problema é desvalorizado por falhas financeiras, mas não devemos esquecer que 1s pode ser suficiente para o ventilador ficar desprogramado



Questão 5: Relativamente à organização/gestão do material



A reposição de material clínico em falta é normalmente da responsabilidade dos assistentes operacionais, mas o obrigação de verificar que as salas estão prontas a receber doentes críticos é do enfermeiro.

Todas as unidades que recebem este tipo de utentes (por exemplo com edema agudo do pulmão) devem ter este material pronto a utilizar e já verificado anteriormente, presumindo que existem sempre profissionais formados para o utilizar.

Não é um bom indicador de qualidade do trabalho da equipa ter um doente crítico a entrar na unidade e ter de solicitar ao assistente operacional que vá buscar um ventilador ou uma máscara do tamanho adequado.



Questão 6: As medidas de prevenção de úlceras de pressão devem iniciar-se



A prevenção de UPs associadas à VNI é uma abordagem de elevada importância e estas medidas devem ser implementadas assim que for possível quando for previsível que o utente vai fazer periodos prolongados de ventilação.

No entanto estas medidas não devem atrasar o início da ventilação quando esta é urgente/emergente, ainda que seja conhecido que a família nos vai lembrar várias vezes por dia que o utente entrou no hospital sem uma única ferida...



Questão 7: A principal medida de prevenção de úlceras de pressão associadas à VNI é



Com evoluir da tecnologia e da qualidade dos cuidados tendemos sempre a acreditar que a aplicação de novos produtos tem mais eficácia que os cuidados standard dos últimos 20 anos, principalmente quando estas alternativas tendem a poupar tempo e trabalho aos profisisonais.

No entanto, quando queremos prevenir UPs associadas à ventilação não podemos esquecer que a melhor forma de o fazer é retirar o objecto que causa a pressão, neste caso as máscaras. Se o utente precisa da ventilação para sobreviver vamos tirar a máscara o menor número de vezes e pelo menor tempo possível, mas este continua a ser o método gold standard de prevenir UPs. É extremamente raro o utente que não tolera alguns minutos sem ventilação, e não o devemos presumir. Atenção que este procedimento implica que o enfermeiro permaneça perto do utente todo o tempo necessário.



Questão 8: Podemos medir a pressão necessária da máscara contra a face



Ao contrário do que muito profissionais tentam obter, a fuga não tem de ser nula, e quase todos os ventiladores compensam pequenas fugas. Quanto melhor for o ventilador, mais a fuga que este consegue compensar.

Se tivermos volumes altos e fuga 0, provavelmente a máscara está sobre-apertada desnecessáriamente e deve ser aliviada.

A posição do cabresto também alterna o local de maior pressão. Se subirmos o cabresto a pressão alivia no nariz e aumenta na boca/queixo. Se baixarmos inverte.

A maioria das máscaras também permite subir ou baixar o ângula da máscara no nariz, permitindo aliviar a pressão conforme desejado.



Questão 9: O CPAP é um modo ventilatório



Apesar de estar a entrar em desuso no meio hospitalar, os modos de pressão contínua ainda têm várias indicações e deveriam utilizados muitas vezes para iniciar a ventilação de uma forma mais progressiva e menos agressiva. Programar uma ventilador inicialmente em modo BiPAP e abandonar o utente porque o trabalho é muito implica uma agressividade enorme que podem um dia testar e sentir colocando em nós próprios o ventilador com o cabresto apertado.

Quando mais simples for o ventilador maior a dificuldade vai ter em implementar devidamente a pressão inpiratória do BiPAP, causando variações indesejáveis.



Questão 10: O modo BiPAP



Como o próprio nome indica, o BiPAP (Bi-level positive airway pressure) funciona com duas pressões positivas, ou seja, nunca há «sucção» por parte do ventilador, apenas um momento com alguma pressão positiva, e um momento com maior pressão positiva.